Mafia: The Old Country é uma história clássica de máfia contada de olho no futuro
Mafia: The Old Country é uma história clássica de máfia contada de olho no futuro
Para entender Mafia: The Old Country, você precisa compreender que este é um projeto voltado para o passado. Ele olha para trás, com uma pesquisa profunda, para o próprio nascimento da ideia de Máfia.
O jogo olha para trás, com verdadeira reverência, para a série da qual faz parte. Na verdade, até seu cenário – as áreas ao redor de San Celeste, uma cidade siciliana na virada do século XX – é uma referência à missão inicial de Mafia 2. Mas ele pega essas ideias nostálgicas e nos mostra uma visão do que a Máfia pode ser em um cenário moderno de jogos.
Depois de jogar três horas do jogo, é um exercício fascinante de unir o que os jogadores esperam de um jogo de ação narrativa moderno em terceira pessoa com aquilo que amavam em uma série que começou há mais de duas décadas.
O principal nisso tudo é que, sim, existe um interior siciliano lindamente feito para os jogadores se envolverem, mas este não é um jogo de mundo aberto como estamos acostumados.
“A fórmula que escolhemos para Mafia: The Old Country é muito mais parecida com a de Mafia 1 e Mafia 2”, explica o diretor do jogo, Alex Cox. “Existe um mundo para explorar, mas ele serve como pano de fundo para a história, não é o foco. Não é um jogo de mundo aberto no sentido convencional. O mundo está ali para proporcionar um ambiente imersivo onde a história acontece.
“Mas também queríamos algo novo e diferente. Para nós, este jogo é o começo de uma nova geração de jogos da série Mafia. Não estamos presos à nostalgia, não estamos limitados pelas regras do passado.”
Você sentirá isso imediatamente. Em um jogo típico, a jogabilidade direciona a história – você conhece bem a sensação de entrar em uma sala que parece suspeitamente uma arena, ou se aproximar de um dispositivo que claramente contém um quebra-cabeça.

Mas em Mafia: The Old Country, a história sempre assume a dianteira. Durante meu tempo com o jogo, nunca entrei em um tiroteio, seção de furtividade, corrida de carros ou passeio a cavalo que não tivesse um motivo para acontecer.
Tudo isso serve a uma história que segue o mesmo equilíbrio entre o antigo e o novo. De um lado, esta é uma trama de máfia profundamente nostálgica – acompanhamos nosso personagem principal, Enzo, ao longo de vários anos, mergulhando nos momentos-chave de sua transformação de mineiro a homem feito, conhecendo o imprevisível Don Torrisi, seu nobre executor Luca e seu sobrinho rebelde Cesare.
Mas há muito aqui que não é familiar – naquela época, a Máfia era tratada mais como uma sociedade secreta do que um negócio criminoso, e isso se revela de forma fascinante enquanto você percorre o interior da Sicília para coletar dinheiro de proteção, acabar com acampamentos de bandoleiros e aproveitar os prazeres trazidos pelos saques.

Ainda mais incomum, há também uma verdadeira história de amor integrada à trama. Enzo se apaixona pela filha do Don, Isabella, e vemos esse romance proibido florescer de uma maneira que poucos jogos conseguiriam retratar.
“Existem temas que eu acho que ainda não foram abordados em um videogame antes”, entusiasma-se Cox. “Coisas reais que afetam pessoas reais todos os dias, não em videogames. Usamos o cinema e as séries de TV de prestígio como referência para nós em termos da qualidade que queremos alcançar em nossa narrativa.”
O valor que a Hangar 13 atribuiu à narrativa significa que esta é realmente a história de Enzo, não uma fantasia simples do jogador. Sim, há uma belíssima Sicília criada pela Unreal Engine ao seu redor e, sim, você pode explorá-la entre as missões, mas este jogo quer fazer com que a forma como você atravessa esse mundo pareça crível.

Quando Enzo tem um objetivo, você não pode se desviar de um modo que não seria fiel à realidade.
Isso dá uma sensação de ritmo cinematográfico ao que pode ser um gênero muito livre. Houve momentos durante minha experiência em que eu simplesmente estava em um passeio agradável a cavalo com Isabella – sem tiroteios inesperados, sem distrações, além da paisagem que se estende até o mar.
Você está jogando uma história, não um sandbox. Mas quando a ação realmente faz sentido, há muito o que explorar aqui. Não confunda a contenção de The Old Country com falta de ambição – há muito da estrutura clássica de jogabilidade aqui, só que a entrega parece diferente do que estamos acostumados a esperar.
O jogo oscila suavemente entre a construção de personagens e explosões de pura jogabilidade. Em uma missão inicial, enquanto Enzo aprende o básico, sou enviado para recuperar uma remessa de uísque apreendida, e tudo se transforma em um jogo de furtividade enquanto me esgueiro por um depósito da delegacia, distraio guardas, escondo ameaças desacordadas em lugares seguros e saio sem soar o alarme.
Em uma missão posterior, Enzo e Cesare dão uma volta de carro ao redor de ruínas romanas, até que Isabella é sequestrada e um tiroteio completo irrompe – e o jogo de repente se torna um jogo de tiro e cobertura surpreendentemente exigente, e logo depois vira uma perseguição de carro, depois de cavalo, e então uma infiltração no acampamento dos sequestradores.

O mais impressionante é quando o jogo combina várias ideias em uma única sequência. Em determinado momento, Enzo conquista confiança suficiente para liderar uma missão em que um empresário local precisa ser… feito de exemplo.
Primeiro, posso visitar o fornecedor de armas do Don, sendo apresentado a uma grande variedade de tipos de armas e sistemas de combate opcionais (acredite, poder usar uma faca de arremesso para eliminar inimigos em silêncio é ótimo). Depois disso, preciso encontrar meu próprio caminho para entrar na mansão, adotando uma abordagem mais letal de furtividade do que antes – até que me excedo e tudo se transforma, sem transição, em um tiroteio total, seguido por uma perseguição a pé pelo jardim quando meu alvo foge.
Mas tudo isso está diretamente ligado à história do próprio Enzo – aprendemos sobre o personagem através de suas ações, e cada cena tem consequências para quem está ao seu redor. Nada disso parece descartável. É um estilo no qual a Hangar 13 acredita o suficiente para dizer que isso não é um experimento, é uma direção definitiva para a série.
“Estamos marcando uma posição sobre onde a qualidade da nossa narrativa e apresentação cinematográfica se encontra – e isso é meio que um novo parâmetro para a série”, diz Cox. O plano, a partir daqui, é usar esse estilo para contar mais histórias épicas ao longo da linha do tempo de Mafia – todas ainda independentes o suficiente para parecerem novas, mas com eventos reverberando de um jogo para outro, recompensando os fãs que retornam.

Diferente da maioria das desenvolvedoras, para a Hangar 13 é menos sobre achar novas mecânicas de jogabilidade e mais sobre achar novas histórias que podem se destacar orgulhosamente como essa. “Quando pensamos nessas narrativas épicas e multigeracionais sobre o crime [do cinema e da literatura] – é assim que queremos que a franquia seja”, conclui Cox.
“A sensação de que há muitas histórias contadas dentro desse universo que se cruzam entre si. Se conseguirmos fazer com que essa seja a experiência de jogar os jogos Mafia, acho que teremos sucesso no futuro.”
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